O que é e como a Terapia Ocupacional pode ajudar.

A tenossinovite estenosante, ou mais conhecido como dedo em gatilho, é uma condição em que o dedo “trava” ou faz um pequeno estalo ao dobrar e estender. Isso acontece porque o tendão que dobra o dedo encontra dificuldade para deslizar dentro do seu trajeto natural, como se algo o impedisse de correr livremente.

Essa alteração pode aparecer em crianças (forma congênita) ou em adultos (forma adquirida), com causas e tratamentos diferentes.

  • Dedo em gatilho congênito:

É observado em bebês e crianças pequenas. Nesses casos, o dedo, geralmente o polegar, apresenta dificuldade para estender completamente. Em vez de um estalo visível, é comum o polegar permanecer dobrado, com uma pequena saliência palpável na base. A causa está relacionada a um espessamento do tendão flexor longo do polegar ou a alterações anatômicas na bainha que o envolve.

Na maioria dos casos, o tratamento começa de forma conservadora, ou seja, com acompanhamento da Terapia Ocupacional e orientações para os cuidadores e responsáveis. Quando o travamento é persistente, pode ser indicada uma cirurgia para liberar o tendão, seguida de reabilitação.

 

  • Dedo em gatilho adquirido:

Mais comum em adultos, principalmente em mulheres e pessoas que realizam movimentos repetitivos de força ou preensão manual. Pode afetar qualquer dedo, mas o anelar e o polegar são os mais frequentes. Nesses casos, o tendão ou a polia (estrutura que o guia o tendão) ficam espessados devido a inflamação e sobrecarga, o que provoca dor, rigidez e o “clique” característico ao mover o dedo.

O tratamento conservador inclui acompanhamento da Terapia Ocupacional e médico, sendo que em alguns casos podem ser necessários procedimentos mais invasivos (cirurgia).

 

Como a Terapia Ocupacional contribui

O acompanhamento com um terapeuta ocupacional especializado em reabilitação de mão faz toda a diferença nos casos de dedo em gatilho, tanto nos estágios iniciais quanto após o tratamento médico ou cirúrgico.

Durante a terapia, são avaliados os movimentos, a força, a coordenação e os hábitos de uso da mão, identificando o que pode estar contribuindo para a dor, a rigidez ou o travamento do dedo.

A partir dessa avaliação, o plano terapêutico é construído de forma individualizada, considerando as atividades que a pessoa realiza no dia a dia, sejam profissionais, domésticas ou de lazer.

A Terapia Ocupacional atua na recuperação da função da mão e na redução da dor, adaptando o tratamento à faixa etária e à gravidade de cada caso.

Entre as ações mais comuns estão:

  • Confecção de órtese sob medida, para repouso e proteção do tendão;
  • Técnicas de mobilização e exercícios, que favorecem o deslizamento tendíneo e a preservação da mobilidade;
  • Orientações ergonômicas e adaptação das atividades manuais, prevenindo sobrecarga e direcionando o uso funcional;
  • Treino de atividades manuais com segurança e conforto; e
  • Acompanhamento pós-operatório, quando há liberação cirúrgica.

Com o acompanhamento adequado, é possível controlar a dor, evitar a progressão do quadro, reduzir o risco de recidiva e retomar as atividades com mais conforto e eficiência.

Se você sente dor, rigidez ou percebe que o dedo “trava” ao se mover, procure um terapeuta ocupacional para uma avaliação individualizada.

Um olhar especializado pode ajudar a restaurar a função da mão e prevenir limitações futuras.